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O Preço da Ilusão (1958): O Filme que inaugurou o cinema catarinense
18 de dezembro de 2025Na madrugada de 1º para 2 de novembro de 1975, um brutal assassinato em Óstia, periferia de Roma, punha fim à vida de um dos artistas e intelectuais públicos mais extraordinários do século XX. Pier Paolo Pasolini foi poeta, cineasta e ativista político, um crítico impiedoso do sentido burguês — orientado para o conformismo e para o espetáculo — que a vida assumia na Itália e no Ocidente no pós-Segunda Guerra. Não era conservador, nem tampouco comunista em termos programáticos. Sangrava-o a perda da pluralidade e da multidimensionalidade da existência, com seus contrastes, diferenças, temporalidades e utopias. Sangrava-o a decepção com uma geração de italianos que ele via se perder no individualismo consumista e neoliberal. Uma planície monótona tomando conta de tudo e tudo redefinindo a partir de um ponto de vista único, de uma moralidade única, de uma ética única. Ele fez de sua arte e de sua voz combates permanentes — extremamente bem planejados e realizados. Se nas areias sujas de Óstia sua vida conheceu o fim, sua arte e seu pensamento críticos permanecem a nos desafiar. Pasolini, indomesticável.
No post de hoje, José Gatti propõe uma reflexão sobre o “desver” como categoria que oferece uma nova forma de enxergar as experiências sociais, revelando sua potência como exercício de olhar crítico e como chave de leitura para a forma como consumimos e interpretamos o que está em curso no campo audiovisual. Amanhã, publicaremos “O coração lacerado”, de Gustavo Silveira Ribeiro.
Em 2026, os autores deste díptico voltam à BVPS para celebrar a vida e a obra de Pasolini com convidados e convidadas. Pasolini, o grande artista tão necessário ao nosso tempo.
Confira em: https://blogbvps.com/2025/11/01/diptico-para-pasolini-ver-desver-de-salo-a-gaza-por-jose-gatti/





